top of page
logo_logomarca2.png

O ARCA

logo_logomarca3.png

O 25 de Abril de 1974 marcou não só o início da democratização de Portugal, mas também o início do processo de descolonização que levou ao reconhecimento da independência dos territórios africanos que estavam sob domínio português. Uma consequência deste processo foi a chegada, ou em alguns casos, o retorno a Portugal de mais de meio milhão de colonos, provenientes, na maioria dos casos, de Angola e Moçambique durante o verão e outono de 1975.

Embora o acontecimento em si não fosse invulgar, uma vez que fazia parte dos repatriamentos coloniais iniciados após a Segunda Guerra Mundial, este retorno revestiu, porém, características particulares. Uma delas foi o contexto interno em que ocorreu, durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC), caracterizado por grande turbulência política e social, e também por instabilidade económica.

Neste contexto, a chegada dos chamados retornados representou um desafio adicional para as autoridades e para os vários governos provisórios que se seguiram até à tomada de posse do I Governo Constitucional, em julho de 1976. Apesar dos impactos demográficos, sociais, económicos e políticos que estas chegadas massivas e repentinas tiveram na sociedade portuguesa, a instalação dos antigos colonos é um dos temas menos estudados e menos compreendidos da história portuguesa do pós-25 de Abril 1974.

 

O objetivo do projeto ARCA (2023.10715.25ABR), financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia no quadro do concurso “25 de Abril” e desenvolvido no Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é participar na construção da memória e da história do retorno através da criação de uma plataforma digital que funcione como arquivo histórico, e como instrumento de disseminação do conhecimento sobre o tema, quer no seio da comunidade académica, quer na esfera mais alargada da sociedade civil. O ARCA - Arquivo digital da história e memória dos retornos das colónias africanas - disponibiliza ao público um conjunto de documentos provenientes de acervos identificados pelos membros da equipa.

Estes incluem arquivos históricos portugueses e internacionais, tanto institucionais como pessoais, bem como material documental contemporâneo, nomeadamente: documentos da imprensa escrita portuguesa e internacional; documentação histórica dos organismos estatais e não estatais implicados no retorno; documentos audiovisuais (reportagens, séries televisivas, filmes, documentários, fotografia); objetos artísticos e literários de mediação da memória deste passado.

Além de um arquivo, o ARCA é uma Mnemoteca, constituída por testemunhos orais recolhidos pela equipa ao longo de anos em entrevistas com retornados, e por objetos de memória como documentos, fotografias e filmes provenientes de arquivos pessoais. O ARCA disponibiliza também recursos de investigação (como uma biblioteca exaustiva sobre o tema), bem como recursos informativos e educativos (como exposições virtuais, divulgação de notícias sobre o tema e recursos para escolas).


A equipa

Morgane Delaunay (Investigadora Responsável, historiadora)

Elsa Peralta (Co-Investigadora Responsável, antropóloga)

Bruno Góis (antropólogo)

Christoph Kalter (historiador)

Murilo Guimarães (colaborador do ARCA, antropólogo)

 

Consultores

Andreas Fickers

Rui Pena Pires

Santiago Perez Isasi

 

O ARCA conta com uma equipa de investigação internacional e pluridisciplinar, constituída pelos principais especialistas atuais neste tema. A equipa inclui dois antropólogos, Elsa Peralta e Bruno Góis, e dois historiadores, Morgane Delaunay e Christoph Kalter. Apoiando-se na investigação desenvolvida ao longo dos anos por estes quatro especialistas, o ARCA inaugura uma nova fase na abordagem deste tema.

Abraçando as novas possibilidades abertas pelos meios digitais, insere a anterior pesquisa nas Humanidades Digitais e na História Pública, no âmbito das quais pretende ser uma referência em termos de divulgação de um corpo de trabalho científico junto de diversos públicos.

Com isto, o ARCA é um instrumento de comunicação histórica e cultural e de intervenção cívica, sendo a equipa empenhada em potenciar recursos de investigação e ferramentas críticas para que não só o público académico, mas toda a sociedade civil, possa participar de forma informada nos debates sobre este passado e, desta forma, torná-lo mais impermeável a apropriações político-ideológicas.

bottom of page