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Objetos de memória
Escudos de Angola
Bilhetes de avião
Mala da TAAG
Objetos africanos
Postais de África
Percy Sledge
Rifa do Rádio Clube de Moçambique
Bilhete do Teatro Scala
Livro de leitura
Diploma do Ensino Primário
Os objetos do quotidiano são também arquivos de memória. Guardados durante décadas por antigos residentes das colónias africanas e pelas suas famílias, chegaram até ao presente porque adquiriram um significado biográfico. Transportam histórias de infância, escola, mobilidade, consumo, lazer, afetos e deslocação que dificilmente sobreviveriam nos arquivos oficiais. Mais do que documentar o império, revelam as formas como a experiência colonial foi vivida, apropriada e transformada em memória através da cultura material.
Escudos
Emitido pelo Banco de Angola, o escudo angolano era a moeda em circulação em Angola durante o período colonial. Após a independência, a sua conversão em Portugal foi fortemente limitada, tornando estas notas inutilizáveis como moeda. Guardadas durante décadas, constituem testemunhos materiais da vida colonial, mas também das perdas associadas à descolonização e ao retorno. A questão da conversão monetária esteve na origem de vários protestos, incluindo a ocupação do Banco de Angola em Lisboa, em outubro de 1975.
Escudos de Angola
Nos meses que se seguiram ao 25 de Abril de 1974, muitos residentes nas colónias africanas começaram a regressar a Portugal por iniciativa própria. O futuro permanecia incerto e ainda era possível comprar uma passagem e organizar a partida sem grande dificuldade. Meses mais tarde, com o agravamento da situação política e militar em Angola, milhares de pessoas concentraram-se nos aeroportos à procura de lugares que já não existiam, levando à criação da ponte aérea que, entre maio e outubro de 1975, transportaria centenas de milhares de pessoas para Portugal.
Bilhetes de avião
Bilhetes
Criada a partir da antiga DTA, a TAAG passou a designar-se Transportes Aéreos de Angola em 1973. Nos anos finais do período colonial, a companhia fazia parte das redes de circulação aérea que ligavam Angola a Portugal. Conservada por quem a trouxe consigo na viagem definitiva para Portugal, esta mala é um testemunho material das experiências de mobilidade que marcaram o fim do império português em África.
Mala da TAAG
Mala
Esculturas, máscaras e outros objetos decorativos ocupam um lugar frequente nas casas de muitos antigos residentes das colónias africanas. Alguns foram trazidos de África; outros foram adquiridos mais tarde, já em Portugal. Mais do que testemunhos da vida quotidiana no período colonial, estes objetos funcionam como suportes de memória e formas de assinalar uma ligação afetiva a África. Frequentemente presentes no espaço doméstico e em encontros de convívio, integram um universo de recordações, práticas e referências que continuou a ser cultivado após o retorno.
Objetos africanos
Objetos africanos
Os postais eram uma das formas mais comuns de comunicação entre Portugal e as colónias africanas. Permitiam transmitir notícias e manter laços familiares e de amizade, mas também contribuíam para construir e reproduzir imagens da vida colonial. Através das fotografias e dos breves relatos que transportavam, aproximavam territórios distantes e alimentavam representações sobre África e a experiência de viver nas colónias. Hoje, preservam fragmentos dessas relações e imaginários, marcando memórias, nostalgias e pertenças.
Postais de África
Postais
Adquirido em Angola e conservado por quem o trouxe consigo para Portugal após a independência, este LP constitui um testemunho material das práticas culturais e do quotidiano urbano nos últimos anos do colonialismo português. Produzido para o mercado angolano a partir do álbum Percy Sledge in South Africa (Atlantic, 1970), com uma capa especificamente concebida para esse contexto, preserva a memória dos circuitos de circulação da música popular internacional e dos modos de vida que marcaram a experiência colonial.
Percy Sledge
Percy
Rifa
Rifa do Rádio Clube de Moçambique
Fundado em 1933, o Rádio Clube de Moçambique tornou-se uma das principais referências da radiodifusão da África Austral, acompanhando a expansão da vida urbana e dos meios de comunicação em Lourenço Marques. Destinada a financiar a atividade da estação, esta rifa testemunha a importância da rádio na sociedade colonial. Constitui hoje um vestígio material dos consumos culturais e das formas de sociabilidade que caracterizaram os últimos anos do colonialismo português em Moçambique.
Bilhete do Teatro Scala
Inaugurado em 1931, o Teatro Scala era uma das principais salas de espetáculo de Lourenço Marques (Maputo), acolhendo cinema, teatro, música e outras iniciativas culturais ao longo do período colonial. Este bilhete testemunha a importância da vida cultural e dos espaços de lazer na cidade, testemunhando as formas de sociabilidade que marcaram a juventude dos residentes portugueses. O regresso a Portugal implicou também a perda desse universo urbano e cosmopolita, vivido nas principais cidades coloniais, mas inacessível à esmagadora maioria da população africana e, em muitos aspetos, ausente da própria metrópole.
Scala
Livro de leitura
Livro de leitura Nossa Terra. Ensino Primário nas colónias portuguesas, década de 1960.
Livro
Diploma do Ensino Primário
Emitido pelos Serviços de Educação da Província de Angola, este diploma assinala a conclusão do ensino primário num sistema educativo organizado pela administração colonial portuguesa. Atribuído poucos meses antes da independência de Angola, constitui hoje um testemunho material de uma etapa da infância vivida no contexto colonial e das trajetórias biográficas interrompidas ou profundamente transformadas pelo processo de descolonização e pelo retorno.
Diploma
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