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Selos do império português

Os selos foram um dos mais difundidos suportes visuais do império português. Através deste objeto visual quotidiano e banal circularam imagens de territórios, paisagens, povos, infraestruturas, figuras históricas e símbolos de soberania que ajudaram a construir uma determinada visão do mundo colonial. Hoje, constituem pequenos arquivos visuais do império, revelando os imaginários através dos quais o colonialismo representou e organizou o espaço colonial, e que continuam presentes na memória da experiência colonial e do retorno*.

*As imagens provenientes de catálogos digitais colaborativos são usadas para fins educativos e de investigação, com indicação da fonte. Caso algum titular de direitos pretenda solicitar correção, atribuição adicional ou remoção, poderá contactar a equipa do ARCA.

Os selos constituíram importantes instrumentos de representação territorial e administrativa do império português. Mapas, brasões, moedas e designações territoriais revelam as geografias coloniais que integraram o império português em África. Hoje, estas imagens continuam também a funcionar como referências espaciais da memória, evocando territórios, cidades e regiões que ocupam um lugar central nas recordações de muitos retornados.

Território e soberania

território

A história imperial ocupou um lugar central na iconografia colonial. Navegadores, conquistadores, navios, mapas históricos e comemorações eram mobilizados para celebrar a expansão portuguesa e reforçar narrativas de antiguidade, continuidade e legitimidade do império. Estas imagens ajudaram a moldar os imaginários históricos através dos quais muitos portugueses compreenderam a presença colonial em África e continuam a surgir, de diferentes formas, nas memórias da experiência colonial e do retorno.

História e memória imperial

História

Natureza africana e exotização

A fauna e as paisagens africanas ocuparam um lugar de destaque na filatelia colonial. Animais, rios, quedas de água e outros elementos naturais eram apresentados como símbolos das riquezas do império e contribuíam para a construção de imaginários exotizados sobre África. Estas imagens estão fortemente presentes as memórias dos retornados, e são evocadas como referências afetivas e sensoriais de uma experiência de vida que continua a marcar a forma como o passado colonial é recordado.

Naureza

Progresso e economia colonial

Obras públicas, cidades, transportes e atividades económicas eram frequentemente representados como símbolos de progresso, desenvolvimento e modernização promovidos pela administração portuguesa. A filatelia colonial contribuiu para divulgar uma imagem de progresso associada à presença portuguesa em África que continua a ser mobilizada na memória da experiência colonial e do retorno.

Progresso

 Povoamento e colonização

Os selos divulgaram imagens das populações e dos projetos coloniais de ocupação do território. Através de colonos, trabalhadores, famílias e habitantes africanos, projetavam uma visão da sociedade colonial e do seu futuro, contribuindo para alimentar expectativas de continuidade da presença portuguesa em África. A descolonização interrompeu esse horizonte, tornando estas imagens particularmente evocativas nas memórias dos retornados, onde frequentemente se associam a sentimentos de perda, incompreensão e deslocação.

Povoamento
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