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Os Inseparáveis da Huíla
O Convívio Anual “Os Inseparáveis da Huíla”, organizado pela associação homónima, realiza-se todos os anos num fim-de-semana de julho para reunir milhares de portugueses retornados que nasceram ou residiram na província angolana que dá nome ao evento.
Atualmente dispersos por Portugal e por outros países, reunem-se para “matar saudades”, partilhar memórias e recriar as Festas de Nossa Senhora do Monte no Lubango, que foram transportadas pelos primeiros colonos madeirenses que se estabeleceram no Sul de Angola.
O primeiro convívio anual foi organizado em 1977 no Monte Castro, em Gondomar, por antigos dirigentes do Clube de Futebol do Lubango. Passou depois pelo Monte dos Carvalhos, também no distrito do Porto, e pela Mata do Buçaco até se fixar, a partir de 1989, na Mata Rainha Dona Leonor, nas Caldas da Rainha.
Este encontro, que atualmente junta milhares de pessoas no início de julho todos os anos, teve outros nomes, como Grande Pic-Nic “Os Inseparáveis do Lubango” e Convívio Anual “Os Inseparáveis do Lubango”, até se fixar no nome atual, para incluir no nome não só a cidade capital da Huíla, mas toda a província.
Imagens do encontro
«Quando em 1977 nos reunimos informalmente, ocupando o dia a recordar, a conviver, a hora da despedida aproximou-se tristemente, e fez nascer em nós o forte desejo de novo encontro. Assim nasceram “OS INSEPARÁVEIS DO LUBANGO”. Demos e recebemos o máximo. Emotivos como somos, a alegria dos outros enriquece-nos e paralelamente ficamos empobrecidos com a tristeza daqueles que nunca ou nem sempre têm oportunidade de matar a sua saudade. Tenhamos a esperança de um dia realizarmos o nosso convívio no Parque da Sra. do Monte…»
Adão Alberto R. Leal (Pres. Ass. Geral), “Dez anos apenas”, Livro do 10.º Convívio Anual “Os Inseparáveis do Lubango”, p. 68.
Livros do convívio
Todos os membros da Associação “Os Inseparáveis da Huíla” recebem por correio uma brochura, a que chama livro, que contém o programa do próximo convívio, fotografias do convívio anterior, poemas, fotografias antigas, artigos sobre a memória de Angola do tempo colonial, fotografias atuais como, por exemplo, da miss Angola, publicidade paga normalmente de estabelecimentos comerciais dos sócios. Estes livros tornam-se eles próprios objetos de memória não só dos tempos vividos em África, mas também dos próprios convívios.
A comunidade do Facebook
Além dos convívios anuais, Os Inseparáveis da Huíla têm continuidade através das redes sociais online, do trabalho preparatório levado a cabo pela Associação e de eventos mais pequenos relacionados com grupos de antigos colegas de escola ou do trabalho. Os Iseparáveis da Huíla podem, assim, ser considerados uma comunidade de memória que cruza vários grupos e vários espaços.
Viagem ao Lubango
Ir ao Convívio Anual dos Inseparáveis do Huíla é, para os participantes, como voltar à terra em que viveram juntos no tempo colonial. Chegam a dizer que a alameda da Mata Rainha Dona Leonor, onde realizam o evento, transforma-se nas ruas do Lubango.
Em 2006, a Associação Os Insparáveis da Huíla organizou uma excursão ao Lubango para que pudessem visitar a cidade que ainda hoje faz parte da sua identidade coletiva. Na excursão visitaram ruas, monumentos e paisagens emblemáticos do Lubango e da Huíla, de entre os quais se podem referir o Cristo Rei, a Serra da Leba e a Igreja da Senhora do Monte.
A excursão serviu também para contacto com as autoridades locais o que deu origem não só a uma visita do presidente da Câmara de Caldas da Rainha ao Governador da Huíla, como também a uma visita deste último ao autarca da cidade portuguesa que acolhe o Convívio Anual Os Inseparáveis da Huíla há várias décadas.
Os convívios anuais juntam as pessoas que viveram juntas noutro tempo. A excursão permitiu a algumas pessoas irem aos lugares a que se prende memória. Mesmo quem não foi, alegra-se com a viagem.
Num texto para o livro do ano seguinte, Rodrigues, um dos membros da associação, resume esta vontade constante de viagem ao passado: «Quando puderem, subam ao Cristo Rei, através da neblina, contemplem de lá a cidade centenária, desçam depois a serra e vejam em Junho como está a velha Capela de Santo António.
Em Agosto façam uma prece à Nossa Senhora do Monte e se ainda lá estiver, bebam a água na fonte. Em Setembro passem pela Escola Industrial e Comercial Artur de Paiva e pelo Liceu Diogo Cão e vejam se já saíram os horários, depois percorram a Pinheiro Chagas desde a Associação Comercial passando pelo “Combinado”, tomem café na “Flórida”, saboreiem um pires de dobradinha na “Tirol” e por fim, no jardim municipal junto à Sé, esperem pelo autocarro, sigam até aos “Barracões” [primeiro assentamento dos colonos madeirenses] e deixem lá um ramo de flores.
Se estiver bom tempo e for Domingo façam um pic-nic na cascata da Huíla, sintonizem o Rádio Clube da Huíla e ouçam o relato do grande jogo.
Meus amigos, retrata-nos a memória o que há muito os olhos deixaram de poder ver, mas enquanto houver saudades, todas estas imagens terão corpo, forma e cor, basta que sejamos capazes de as projetar no ecrã da nossa imaginação.» (H. Rodrigues, "Amigos, vamos a isto" in Livro do 30.º Convívio Anual "Os Inseparáveis da Huíla, 2007, p. 34).












































